Custa muito estar a deixar tudo para trás, ter que condensar o essencial
da minha vida, não nos 23 quilos de bagagem de porão e nos 8 quilos de mão, mas no
coração. Custa, mas tem que ser. Não é, mundo? Porque hoje em dia é a lei da sobrevivência, como foi há 50 anos atrás com os nossos avós. É emigrar! É colocar o trabalho à frente de tudo, é deixar amigos, família e o amor para trás. Engraçado que quem nos "manda" sair daqui, está cá muito bem, com uma cadeira confortável e uma futura reforma rechonchuda. E é tudo aquilo que todos os jovens como eu, que estão prestes a sair do país ou pensam nisso, sabem.
Eu podia continuar por aqui a concorrer a concursos públicos, a responder a anúncios de jornal, a candidatar-me às ofertas do Net-empregos, mas não era a mesma coisa. Podia continuar a viver às custas dos meus pais (da minha mãe, melhor dizendo), claro que podia! Mas já tenho o meu curso, já tenho quase 23 anos e quero a minha independência, a oportunidade surgiu e embora não vá trabalhar na minha área, já é um salto para procurar outras oportunidades. Pensar global, como me disseram muitos professores. As coisas precipitaram-se e dia 29 de Janeiro aterro em terras de sua majestade, onde vou ficar pelo menos seis meses! Wish me luck!